PATRIMÔNIO AMEAÇADO: Edifício Normandie – Florianópolis (SC)

O Docomomo Brasil apoia as ações de preservação do Edifício Normandie, em Florianópolis (SC). O Edifício Normandie, construído em 1964, em Coqueiros, área continental de Florianópolis, possui autoria do arquiteto gaúcho Roberto Félix Veronese. Traz características arquitetônicas de edificação moderna da vanguarda sulista.

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NOTA DE REPÚDIO: Demolição da antiga Sede das Centrais Elétricas de Goiás (Celg)

Localizada na zona oeste de Goiânia (Av. Anhanguera, 7171), a antiga Sede das Centrais Elétricas de Goiás (Celg) é uma construção marcante da arquitetura moderna na cidade de Goiânia, construída na década de 1950 e projetada pelo engenheiro Oton Nascimento.

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ATUALIZAÇÃO: Justiça Federal concede liminar para impedir venda do Palácio Gustavo Capanema – Rio de Janeiro

Segue a nota emitida pelo Ministério Público Federal nesta terça-feira (01/02):

Em ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF), a 23ª Vara Federal do Rio de Janeiro concedeu liminar para determinar à União Federal que se abstenha de ofertar e aceitar qualquer proposta de compra do edifício Palácio Gustavo Capanema, na cidade do Rio de Janeiro, se essa proposta for formulada por entidades, instituições e pessoas (jurídicas ou naturais) de natureza privada, sob pena de multa diária de R$ 5 mil (processo nº 5119360-34.2021.4.02.5101/RJ).

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PATRIMÔNIO AMEAÇADO: A preservação do edifício da SMOV – Porto Alegre/ RS

O Docomomo Brasil vem a público manifestar o seu apoio para a preservação do edifício sede da Secretaria Municipal de Obras e Viação/ SMOV. O projeto, 1966-1970, de autoria dos então funcionários públicos e arquitetos do município: Moacyr Moojen Marques, João José Vallandro e Léo Ferreira da Silva, reúne aspectos fundamentais (histórico, urbanístico e arquitetônico) que justificam largamente sua preservação.

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MANIFESTO CONTRA A PRIVATIZAÇÃO DA ANTIGA SEDE DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO NO RIO DE JANEIRO

MANIFESTO AGAINST THE PRIVATIZATION OF THE OLD HEADQUARTERS

OF THE BRAZILIAN MINISTRY OF EDUCATION IN RIO DE JANEIRO

Via the Ministry of Economy and the Ministry of Labor and Welfare, the Bolsonaro Government wants to privatize a group of properties belonging to the Union. The “star of the auction” is the Palacio Capanema, which was headquarters of the Ministry of Education until the capital was transferred to Brasília. An initiative of Gustavo Capanema, Minister of Education of the Vargas Government, it is remarkable for its aesthetic, technical, landscape and urban innovations. A landmark of modern architecture in Brazil and in the world, it is an internationally recognized masterpiece of 20th century art.

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Salve o Hospital Octávio Mangabeira!

Salve o Hospital Octávio Mangabeira!
Ex-Sanatório do Hospital Santa Terezinha, Bahia, Brasil, 1937-1942.

A Docomomo Internacional tomou conhecimento pela Docomomo Brasil que o Hospital Octávio Mangabeira (HEOM) corre grande risco de se perder, devido ao projeto de reforma proposto pela Secretaria de Saúde do Estado da Bahia   ), que lidera ao dano irreversível de valor cultural a elementos desse patrimônio da saúde desenvolvido na Bahia no início da década de 1940: o antigo Hospital Sanatório Santa Terezinha, ícone da arquitetura antituberculose baiana e um dos grandes projetos responsáveis ​​pela consolidação da Arquitetura Moderna no Estado.

“O antigo Hospital Santa Terezinha, hoje HEOM, começou a ser construído em 1937 e foi inaugurado em 1942, com a intenção de abrigar um sanatório para pacientes com tuberculose em Salvador. Com uma volumetria original muito nítida, desenvolvida a partir de um bloco horizontal com extremidades curvas aos quais se ligam três blocos prismáticos, rodeados por solários contínuos e lineares que reforçam a sua horizontalidade, foi construída de forma a favorecer, tanto quanto possível, a ventilação natural e luz solar que na época era entendida como um elemento importante no tratamento da tuberculose, tendo sido uma importante ferramenta no combate à doença na Bahia e emblemática na implantação da arquitetura moderna na cidade. Atualmente, continua a cuidar de pacientes com tuberculose e outras doenças pulmonares,

Sua relevância como representante do estabelecimento da arquitetura moderna em Salvador pode ser demonstrada pelo fato de que, logo após sua inauguração, o Hospital Santa Terezinha foi um dos dois edifícios selecionados para representar a Bahia na exposição e respectivo catálogo Brazil Build: Architecture new e antigo, feito pelo Museu de Arte Moderna (MoMA) de Nova York, publicado em 1943. ”

Tombado como Patrimônio Cultural desde 2019 no Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia e após um grande esforço do Instituto dos Arquitetos do Brasil – Departamento da Bahia para sua proteção, “em 30 de junho de 2021, a SESAB divulgou na imprensa que transferiria pacientes com tuberculose para “unidades de longa permanência” e os pacientes com TB e HIV / AIDS que precisassem de internação seriam transferidos para o Instituto Couto Maia. Profissionais de saúde, médicos e colaboradores, pacientes hospitalares, reconhecem o seu valor cultural e procuram várias formas possíveis de prevenir este dano a este património cultural e do desmantelamento da conceituada rede de cuidados às doenças respiratórias que esta unidade hospitalar representa no Sistema Único de Saúde (SUS).

Além disso, as entidades de saúde também entraram com petição junto ao Ministério Público de Saúde do Ministério Público e à Defensoria Pública do Estado da Bahia. Além da questão do patrimônio cultural, é possível perceber claramente nas notícias a mudança no perfil de atendimento e o rompimento da rede antituberculose no estado da Bahia, o que é preocupante, considerando que a tuberculose não foi erradicada e no Brasil, De acordo com a Organização Mundial (OMS), está entre os trinta países com alta carga de TB entre 2019 e 2020.

Texto na íntegra: https://www.docomomo.com/heritage/save-hospital-octavio-mangabeira

CAMPANHA SOS GINÁSIO IBIRAPUERA

#sosoginasioibirapuera

O Complexo Esportivo do Ibirapuera está ameaçado de extinção!

A defesa deste patrimônio paulistano é também a defesa do espaço público, do direito à prática do esporte, do lazer e da memória da arquitetura brasileira.

Você pode ajudar a impedir essa destruição, apoiando seu tombamento que será decidido pelo Condephaat no próximo dia 30/11.

Participe do abraço virtual!

 

Como fazer:

  1. Copie o texto deste email e repasse para sua lista de contatos.
  2. Peça para seus amigos fazerem a mesma operação.
  3. A partir de 23/11, segunda-feira, replique nossos posts nas suas redes sociais, marcando todos os envolvidos nesta ação!
  4. Nossos posts serão veiculados pelos perfis da @fauusp e @iab.sp (Instagram e Facebook); @icomosbr.20; @icomosbrasil (Instagram); e em @FAUUSPoficial e @iab.sp (no Twitter)
  5. Siga a hashtag #sosoginasioibirapuera
  6. Não esqueça de adicionar a hashtag #sosginasioibirapuera em todos os seus posts
  7. Multiplique essa mensagem
  8. Assine a petição https://www.change.org/preservacao-ginasio-ibirapuera
  9. Saiba mais:

https://www.uol.com.br/esporte/colunas/olhar-olimpico/2020/09/18/estado-quer-privatizar-ginasio-do-ibirapuera-mas-terreno-e-da-prefeitura.htm

https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2020/11/tristeza-e-indignacao.shtml

https://youtu.be/nEhbOhyYQPY

https://jornal.usp.br/radio-usp/defesa-do-complexo-do-ibirapuera-diz-respeito-ao-direito-ao-lazer-e-ao-esporte/

 

 

Manifesto contra a demolição de obra modernista de Delfim Amorim

NOTA PÚBLICA
Mais um para o obituário arquitetônico: manifesto contra a demolição de obra modernista de Delfim Amorim
O Instituto dos Arquitetos do Brasil – Departamento Pernambuco (IAB-PE), por meio da sua Comissão de Patrimônio Cultural; o Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFPE; o curso de Arquitetura e Urbanismo da UNICAP; o Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico Pernambucano; o Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Urbano da UFPE; o Núcleo Pernambuco do ICOMOS Brasil; o Núcleo Pernambuco e Direção Nacional do DOCOMOMO- Brasil e o Núcleo Pernambuco e Direção Nacional da Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas vêm, em nota pública, demonstrar profunda indignação diante da recente constatação de demolição de um bem cultural, representativo do acervo da arquitetura moderna no Recife, que por muitos anos serviu como sede da Agência Estadual de Meio Ambiente, antiga Companhia Pernambucana de Recursos Hídricos (CPRH), na Rua de Santana, bairro de Casa Forte.
Concebido como residência particular, pertencente ao industrial pernambucano Miguel Vita, o imóvel reunia significativos atributos dos traços modernistas, com estruturas em balanços e coberta em empenas do tipo asas de borboleta. Projetado pelo arquiteto Delfim Amorim, que também nos brindou com obras arquitetônicas consideradas ícones de nossa memória arquitetônica, reunia elementos em muito exaltados pelos profissionais da área, pelos admiradores da nossa cultura local e pela sociedade, em geral.
Em sintonia com os princípios da salvaguarda cultural, as instituições que subscrevem essa nota reforçam a compreensão da preservação em seu sentido amplo e dinâmico, ultrapassando os limites do que configurou o patrimônio de pedra e cal para os exemplares da Arquitetura Moderna, cujas obras de Oscar Niemeyer e Lúcio Costa, em caráter nacional, e Acácio Gil Borsoi e Delfim Amorim, em significância regional, são expoentes. Conformam a expressão de um período relevante da história da arte e da arquitetura, insubstituíveis em seu suporte material e nos valores simbólicos a eles associados. A difícil missão da preservação exige uma prática institucional sensível a tais remanescentes, entendendo que o dever da preservação deve ocorrer para além das listas constantes nos instrumentos normativos em vigor, que em muito não acompanham as demandas efervescentes da sociedade atual.
As severas perdas não afetam apenas grupos específicos ou relações de vizinhança, pois significam o apagamento da memória histórico-cultural e também de parte da paisagem da cidade do Recife e do estado de Pernambuco. Nesse caso específico, o bem cultural havia sido previamente valorado por pesquisas acadêmicas, mas isso não se traduziu em seu reconhecimento institucional. Isso nos leva a conclamar que sejam feitas mudanças urgentes
nas formas de gerir o patrimônio cultural de nossa cidade e do nosso estado, prevenindo a ocorrência de novas perdas do nosso rico acervo arquitetônico e urbanístico, especialmente o patrimônio moderno.
Ademais, questionamos fortemente a legitimidade de uma a ação de demolição que ocorre em tempo recorde, em um final de semana, sem placa de obra e sabendo-se que o imóvel em questão havia sido indicado por professores da UFPE, especialistas em arquitetura moderna, para classificação como Imóvel Especial de Preservação (IEP), previsto na (Lei nº 16.176/1996). Embora não houvesse ainda uma definição, tal indicação já sinaliza que o órgão municipal de preservação tinha conhecimento do valor da edificação.
É diante desse sério cenário de ameaça, que convocamos as instituições públicas competentes a um apelo em favor da abrangência da preservação para a visão de bem cultural, o qual acumula vivências e significados sociais, que tanto refletem a trajetória da cidade do Recife e de seus cidadãos. Reforçamos a premente necessidade de atualização dos instrumentos normativos e a efetiva representatividade nas composições dos conselhos culturais e urbanísticos, para que possam lidar com os desafios constantes desse campo de atuação. Além disso, salientamos que é necessária a ampliação dos estudos para considerar novas formas de incentivos à preservação dos bens e novos usos com eles compatíveis, garantindo a manutenção de seu valor econômico sem prejuízo de seu valor cultural. Para isso, é preciso ampliar o grupo de atores participantes dessa discussão.
A Comissão de Patrimônio Cultural do IAB-PE e demais instituições que subscrevem a nota colocam-se à disposição dos órgãos de preservação do Recife e de Pernambuco para a ampliação do debate, de forma a encontrarmos soluções efetivas, considerando a dinâmica dos processos de valoração social, em favor da preservação cultural de uma memória viva, em benefício das gerações presentes e futuras, ao invés dos severos atropelamentos então evidenciados.

INSTITUTO DOS ARQUITETOS DO BRASIL – IAB/PE – COMISSÃO DE PATRIMÔNIO CULTURAL
DEPARTAMENTO DE ARQUITETURA E URBANISMO DA UFPE
CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO DA UNICAP
INSTITUTO ARQUEOLÓGICO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO PERNAMBUCANO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM DESENVOLVIMENTO URBANO DA UFPE
NÚCLEO PERNAMBUCO DO ICOMOS BRASIL
NÚCLEO PERNAMBUCO DOCOMOMO BRASIL e DOCOMOMO BRASIL
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ARQUITETOS PAISAGISTAS (Núcleo PE e Nacional)

patrimônio em risco – residência Benedito Macedo – Fortaleza – CE

patrimônio moderno em risco – residência Benedito Macedo – Fortaleza – CE

/ projeto arquitetônico: Acácio Gil Borsói e Janete Costa /

projeto paisagístico: Roberto Burle Marx

NOTA DE REPÚDIO – DEMOLIÇÃO SEDE DO GRUPO J. MACEDO S/A COMÉRCIO, ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES Antiga Residência Benedito Macedo (1968) Fortaleza – Ceará I Acácio Gil Borsoi, Janete Costa e Roberto Burle Marx

NOTA DE REPÚDIO

DEMOLIÇÃO SEDE DO GRUPO J. MACEDO S/A COMÉRCIO, ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES
Antiga Residência Benedito Macedo (1968) Fortaleza – Ceará
Acácio Gil Borsoi, Janete Costa e Roberto Burle Marx

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O conjunto arquitetônico em comento é composto pela Residência Benedito Macedo e seu jardim e o edifício administrativo do grupo empresarial J. Macedo. A residência foi construída, acompanhada do seu tratamento paisagístico envoltório, no ano de 1968. Os autores do seu projeto arquitetônico e de arquitetura de interiores foram os arquitetos Acácio Gil Borsói (Rio de Janeiro/RJ, 1924 – São Paulo/SP, 2009) e Janete Costa (Garanhuns/PE, 1932 – Olinda/PE, 2008), técnicos de grande prestígio profissional radicados em Recife/PE, mas com atuação em todo o Nordeste e em alguns outros Estados brasileiros.

O projeto do jardim ficou a cargo do paisagista Roberto Burle Marx (São Paulo/SP, 1909 – Rio de Janeiro/RJ, 1994), o maior nome da arquitetura paisagística brasileira em todos os tempos. Onze anos depois, em 1979, o prédio administrativo foi levantado sob o risco de Acácio Gil Borsói e Janete Costa e com linguagem arquitetônica bastante semelhante à da residência existente. Os dois edifícios e o jardim, além de se constituírem em pontos destacados nos acervos de obras dos arquitetos, conformam um dos mais importantes conjuntos de arquitetura moderna do Ceará, do Nordeste e do Brasil, detendo valores históricos, artísticos e simbólicos tais que o promovem à condição de inequívoco patrimônio cultural edificado.

Não sendo protegido em nível cultural em qualquer âmbito (federal, estadual e/ou municipal) e tendo sido recentemente anunciada a sua venda pelo proprietário original, temeu-se pela integridade e a demolição do conjunto, a exemplo do que ocorreu com outras obras de integrantes do grupo empresarial, tais como as residências de José e Fernando Macedo, igualmente projetadas e valorizadas paisagisticamente pelos mesmos profissionais, ambas demolidas.

A ameaça de demolição, a extremada valorização imobiliária do bairro onde se situa a quadra na qual se implanta o conjunto e a elevada qualidade arquitetônica e paisagística deste, justificou a ação do Departamento do Ceará do Instituto de Arquitetos do Brasil – IAB/CE e do Núcleo DOCOMOMO Ceará, abrigado no Departamento de Arquitetura e Urbanismo e Design da Universidade do Ceará –DAUD-UFC, entre outras instituições, em apresentar solicitações de tombamento do conjunto nos níveis federal, estadual e municipal. Os pedidos foram protocolados no final do mês de abril do ano corrente e os Professores Doutores Arquitetos Romeu Duarte Junior, Ricardo Alexandre Paiva e Beatriz Helena Nogueira Diógenes foram colaboradores técnicos na construção dos Ofícios IAB-CE 39/2020, IAB-CE 40/2020 e IAB-CE 41/2020, protocolados pelo IAB-CE na SECULT, SECULTFOR e IPHAN, respectivamente.

Essas ações não foram suficientes para evitar que em 02 de junho de 2020 se iniciasse a demolição da obra, que foi noticiada pela imprensa local e permitiu que o IAB- CE, nomeadamente o seu Presidente, o Arquiteto Jefferson John Lima da Silva, agisse prontamente no acionamento da Agência de Fiscalização de Fortaleza – AGEFIS, órgão de fiscalização do Patrimônio Histórico-Cultural vinculado à Prefeitura Municipal de Fortaleza – PMF que, por seu turno, conseguiu embargar a obra em razão da ausência do necessário alvará para tal intervenção, conforme o Auto N° 088956 da PMF. De outra parte, em ofício datado de 02/06/2020 e dirigido ao Dr. Fabiano dos Santos, Secretário Estadual da Cultura e Presidente do Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural do Estado do Ceará – COEPA, a Promotora de Justiça, Dra. Maria Jacqueline Faustino de S. A. do Nascimento, Coordenadora do Centro de Apoio Operacional de Proteção à Ecologia, Meio Ambiente, Urbanismo, Paisagismo e Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural do Ministério Público do Estado do Ceará – CAOMACE/MPCE, determinou o embargo da obra com base na ação da AGEFIS/PMF e no tombamento estadual provisório do conjunto arquitetônico-paisagístico, mediado pela solicitação de proteção retrocitada, e previsto no Art. 3º, § 10, da Lei Estadual Nº 13.465/04.

Ainda que existam várias iniciativas em prol da documentação e conservação da obra, conforme várias pesquisas e escritos já realizados1, e os recentes pedidos de tombamento, a interdição do processo de demolição até o momento não assegurou a integridade do conjunto e nem diminui a gravidade da ameaça ao patrimônio moderno frente às dinâmicas imobiliárias da cidade.

Neste sentido, o Núcleo DOCOMOMO Ceará, o DAUD-UFC e o IAB-CE, reiteram a importância cultural, arquitetônica, urbana e paisagística de tombamento do Conjunto da Residência Benedito Macedo, seu jardim e o edifício administrativo, numa perspectiva de propor alternativas para o seu reuso, propondo parcerias entre os setores público e privado implicados para que estudem e decidam sobre a tomada de providências adequadas, sustentáveis e respeitosas para com o patrimônio cultural e natural conformado pelo conjunto arquitetônico-paisagístico.

Finalmente, reivindicamos e nos colocamos à disposição para buscar encaminhamentos que ratifiquem o valor cultural do conjunto e conduza a manutenção e conservação do que sobrou desse importante patrimônio moderno de Fortaleza, do Ceará, do Nordeste e do Brasil.

Subscrevemo-nos

Fortaleza, 02 de junho de 2020

Prof. Dr. Ricardo Alexandre Paiva – Núcleo DOCOMOMO Ceará – DAUD/UFC

Prof. Dr. Renan Cid varela Leite – Chefe de Departamento – DAUD/CT/UFC

Prof. Dr. Romeu Duarte Junior – Atelier de Patrimônio Cultural DAUD/UFC / Ex Presidente do IAB-CE e IAB-DN

Prof. Dra. Beatriz Helena Nogueira Diógenes – LoCAU – DAUD/UFC

Arq. Jefferson John Lima da Silva – Presidente IAB-CE

Arq. Rebeca Gaspar Maia – Secretária Geral IAB-CE

Apoiam essa iniciativa:

Profa. Dra. Clarissa Figueiredo Sampaio de Freitas – Programa de Pós Graduação em Arquitetura e Urbanismo e Design – PPGAU+D/UFC

Profa. Dra. Marcia Gadelha Cavalcante – Coordenadora do Curso de Arquitetura e Urbanismo – DAUD/UFC

Prof. Dr. Nivaldo Vieira Andrade Jr. – Presidente Nacional do Instituto dos Arquitetos do Brasil

Prof. Dr. Renato Gama-Rosa – Coordenador do DOCOMOMO Brasil

Prof. Dr. Leonardo Castriota – Presidente do ICOMOS/Brasil

Prof. Dr. Napoleão Ferreira da Silva Neto – Presidente do CAU/CE

Arq. Marco Antônio Borsoi – Borsói Arquitetos Associados/ Marco Antônio Borsói Arquitetura

Instituto Burle Marx

Instituto Sérvulo Esmeraldo

Prof. Dr. José Carlos Huapaya Espinoza – Núcleo DOCOMOMO BA_SE (Bahia e Sergipe)

Prof. Dr. Fernando Diniz – Núcleo DOCOMOMO Pernambuco

Arq. Robledo Valente Duarte – Vice-Presidente do IAB/CE

Arq. Clélia Maria Coutinho Teixeira – Representante do IAB-CE no COMPHIC

Arq. Márcia Sampaio – Representante do IAB-CE no COMPHIC até 2019

Arq. Izabela Moreira Lima – Representante do IAB/CE no COMPHIC até 2019 e Diretora de Política Profissional do IAB/CE

Arq. Alexandre José Martins Jacó – Arquiteto e Urbanista

Profa. Dra. Gérsica Vasconcelos Goes – Membro do ICOMOS Brasil

Arq. Antônio Carlos Campelo Costa – Ex Presidente do IAB/CE e IAB/DN

Profa. Dra. Clélia Lustosa – Observatório das Metrópoles – Núcleo Fortaleza

Carlos Josué – Conselheiro da AGB no COMPHIC

Profa. Dra. Alcília Albuquerque Afonso – GRUPAL – Grupo de Pesquisa Arquitetura e Lugar – UFCG

Moção de apoio ao tombamento do Hospital Especializado Octavio Mangabeira em Salvador e de repúdio ao projeto de reforma e modernização elaborado pelo Governo do Estado da Bahia

Fonte da imagem:  www.docomomo.org.br

 

 

 

 

 

O Hospital Santa Terezinha, atualmente HEOM, foi construído pela Construtora Odebrecht entre 1937 e 1942 e se constitui indiscutivelmente em um dos mais relevantes exemplares da arquitetura moderna na Bahia. Quando, entre 1942 e 1943, o Museum of Modern Art (MoMA) de Nova York realizou a exposição Brazil Builds: architecture new and old, 1652-1942, que representou a afirmação, em escala mundial, da arquitetura moderna brasileira, apenas dois edifícios baianos foram incluídos, sendo um deles o Hospital Santa Terezinha, o que demonstra o reconhecimento internacional de sua arquitetura.

Os arquitetos e pesquisadores participantes do 7o Seminário Docomomo Norte/Nordeste aproveitam ainda para registrar seu repúdio ao projeto de reforma e modernização do Hospital Especializado Octavio Mangabeira (HEOM), em Salvador, recentemente divulgado pela Secretaria de Saúde do Estado da Bahia.

Apesar das diversas intervenções pelas quais o HEOM passou ao longo de mais de 70 anos de funcionamento, seus valores históricos e arquitetônicos mantiveram-se ate agora, em grande medida, preservados. O fechamento das varandas/solários do HEOM com vidros, as alterações nos revestimentos das demais superficies das fachadas, atualmente pastilhadas, e a radical alteração no espaço interno do edifício, com a demolição de diversas paredes, dentre outros aspectos do projeto de reforma e modernização ora proposto pelo Governo do Estado da Bahia, representarão, se realizados, a completa descaracterização de uma das mais importantes arquiteturas erguidas na Bahia no século XX.

Manaus, 14 de agosto de 2018

CONPRESP tomba várias obras modernas paulistanas

Com informações do Núcleo Docomomo SP

Fotos Helio Herbst (Residência Oscar Americano, projeto Oswaldo Arthur Bratke)

 

Na reunião do CONPRESP (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo) , em 12/03/2018, foram tombadas várias obras da arquitetura moderna paulistana. Professores/as e pesquisadores/as mobilizaram-em apoio ao tombamento, sendo incluída uma carta elaborada pelo professor José Lira na ata da reunião, reproduzida no final deste texto.

Bem tombados:

Gregori Warchavchik
Edifício Mina Klabin Warchavchik
Conjunto de casas econômicas na Barão de Jaguara
Salão de Festas do Clube Pinheiros

Rino Levi
Laboratório Paulista de Biologia
Conjunto Hospitalar A.C.Camargo
Edifício Porchat
Edifício Trussardi

Convenio Escolar
Escola Estadual Pandiá Calógeras, Mooca
Escola Estadual Brasílio Machado, Vila Mariana
Escola Municipal de Educação Bilíngue para Surdos Helen Keller
Biblioteca Roberto Santos, Ipiranga
Biblioteca Adelpho Figueiredo, Canindé

Rodrigo Lefèvre 
Casa Pery Campos
Casa Dino Zammataro

Oswaldo Bratke
Fundação Oscar e Maria Luisa Americano
Edificio Lineu Gomes

+ Conjunto de 31 edifícios modernos (no bairro de Perdizes)

Casos muito importantes, como obras de Vilanova Artigas, Hans Broos, Paulo Mendes da Rocha, e conjuntos como o Parque das Fontes do Ipiranga e a Cidade Universitária da USP, tiveram seu exame adiado para outra reunião (a ser realizada em 19/03/2018). Parte do conjunto de edifícios modernos propostos para tombamento não foi incluído.

Segue portanto necessário continuar atuando em prol da efetiva preservação desse patrimônio moderno.

Carta elaborada pelo professor José Lira

Ao Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo – CONPRESP
Ilmo. Sr. Cyro Laurenza
Presidente do CONPRESP

São Paulo, 8 de março de 2018

Prezados(as) Senhores(as),

É com profundo interesse que a comunidade arquitetônica e patrimonial de São Paulo vem acompanhando os processos de tombamento e preservação de bens arquitetônicos modernos construídos na cidade entre os anos 1920 e 1970. Afinal, além da excepcional qualidade artística de um bom número deles, em conjunto evocam um momento crucial de afirmação física, social e cultural da metrópole. A força desta arquitetura na configuração da nova ecologia metropolitana é proporcional a seu peso nos processos contemporâneos de expansão e adensamento da malha urbana, verticalização das áreas mais centrais, ascensão de novos padrões residenciais e instalação em toda parte de espaços modernos de trabalho, consumo, lazer, esportes, cultura, educação e saúde.

É verdade que muitos dos marcos arquitetônicos desse processo se perderam nas últimas décadas, substituídos por uma quarta ou quinta camada de urbanização autofágica, ou abandonados à ação da matéria e aos constrangimentos provocados pela marcha inexorável da urbanização, por obras viárias inflexíveis, projetos imobiliários imediatistas e intervenções no mínimo desastradas. De qualquer modo, como em toda grande cidade que se pretenda um polo de civilidade no planeta, aqui e ali, também em São Paulo, alguns deles resistem. Se bem salvaguardados, haverão de afirmar-se como marcos fundamentais de orientação dos cidadãos no espaço e no tempo, de preservação de uma escala humana na megalópole, de coesão social em torno de um sistema cultural urbano comum, essa espécie de acervo vivo de estruturas e figuras nas palavras de Giulio Carlo Argan, capaz de fornecer balizas seguras ao conhecimento e ao desenvolvimento das cidades.

Com a iniciativa de tombamento, oferece-se assim uma resposta consistente com os esforços historiográficos das duas últimas décadas no sentido do conhecimento, valorização e ampliação do corpus de obras de arquitetura moderna paulista, e ao mesmo tempo uma contribuição para a qualificação do ambiente construído local. Trata-se, portanto, de uma iniciativa fortemente enraizada na mais atualizada pesquisa científica, com benefícios inestimáveis para o público em geral, crescentemente interessado pelo patrimônio edificado – vide o sucesso de exposições, publicações e jornadas a seu respeito – assim como para as futuras gerações de habitantes e visitantes da cidade. Preservar esses bens não só salvaguarda a memória de grupos sociais os mais diversos, como garante a densidade histórica, cultural e ambiental necessária para o futuro de uma cidade do porte de São Paulo.

A relevância e a complexidade do acervo em exame é tal que qualquer decisão a respeito de sua preservação deverá se valer das análises qualitativas e dos cuidadosos estudos técnico-patrimoniais que vem notabilizando o Departamento de Patrimônio Histórico desta Secretaria Municipal de Cultura já há mais de três décadas. Neste sentido, é que vimos perante este Conselho Municipal solicitar atenção ao valor patrimonial deste Conjunto de Arquitetura Moderna reunido nos vários processos sob seu zelo, no sentido de sua efetiva preservação pelos meios legais.

Atenciosamente,

Carlos Alberto Cerqueira Lemos (Professor Titular da FAU-USP, Diretor técnico do Condephaat, 1968-1981, Ex-Conselheiro do Condephaat, do Iphan e do Conpresp)

Benedito Lima de Toledo (Professor Titular da FAU-USP, Ex-Conselheiro do Condephaat)

Monica Camargo Junqueira (Professora Associada da FAU-USP, Ex-Conselheira do Conpresp)

Joana Mello de Carvalho e Silva (Professora Doutora da FAU-USP)

José Tavares Correia de Lira (Professor Titular da FAU-USP)

Ana Lúcia Duarte Lanna (Professora Titular da FAU-USP, Ex-Presidente do Condephaat)

Beatriz Mugayar Kuhl (Professora Titular da FAU-USP, Ex-Conselheira do Condephaat)

Cristina Meneguello (Professora Associada IFCH-Unicamp, Conselheira do Condephaat)

Maria Lucia Bressan Pinheiro (Professora Associada FAU-USP, Ex-Conselheira do Condephaat)

Flavia Brito do Nascimento (Professora Doutora da FAU-USP, Conselheira do Condephaat)

Hugo Massaki Segawa (Professor Titular da FAU-USP)

Ruth Verde Zein (Professora Doutora da FAU-Mackenzie)

Luis Recamán Barros (Professor Doutor da FAU-USP)

Silvana Barbosa Rubino (Professora Associada IFCH-Unicamp, Ex-Conselheira do Condephaat)

Guilherme Teixeira Wisnik (Professor Doutor FAU-USP)

Ana Paula Koury (Professora Doutora da FAU-São Judas)

Renato Sobral Anelli (Professor Titular do IAU-USP)

Andrea de Oliveira Tourinho (Professora Doutora da FAU-São Judas)

Fernando Vásquez (Professor Doutor da FAU-São Judas, Coordenador Docomomo-SP)

Helena Ayoub (Professora Doutora da FAU-USP)

Miguel Buzzar (Professor Associado e Diretor do IAU-USP)

Luis Antonio Jorge (Professor Associado da FAU-USP)

Sabrina Fontenele (Professora colaboradora do IFCH-Unicamp)

Paulo Cezar Garcez Marins (Prof. Doutor Museu Paulista da USP, Conselheiro do Condephaat)

Cecília Rodrigues dos Santos (Profa. Doutora da FAU-Mackenzie, Superintendente Iphan-SP)

Carlos Alberto Ferreira Martins (Professor Titular do IAU-USP, Ex-Presidente da ANPARQ)

Ana Lucia Ceravolo (Professora Doutora, Ex-Presidente da Fundação Pró-Memória de São Carlos)

Sarah Feldman (Professora Associada Senior IAU-USP, Conselheira do Condephaat)

Nadia Somekh (Professora Titular da FAU-Mackenzie, Ex-Diretora do DPH-SP)

Sanatório de Curicica

Atual Hospital Municipal Raphael de Paula Souza e Centro de Referência Professor Hélio Fraga, Ensp/Fiocruz.
Arquiteto Sergio Bernardes, 1952.

Vista do Sanatório de Curicica Sanatorium durante sua construção. Fonte: Departamento de Arquivo e Documentação da Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz. Sem data

Inaugurado em 25 de janeiro de 1952, é parte de uma série de quatro hospitais para doenças tratadas em isolamento na Baixada de Jacarepaguá, cidade do Rio de Janeiro, Brasil, que foram implantados entre as décadas de 1920 e 1950, quando a região ainda tinha características rurais.

O complexo sanatorial, com caráter de experimentação e de vanguarda, se encontra em processo de tombamento em nível municipal, e em risco de perder suas características plásticas e de habitabilidade propostas no projeto, bem como ter destruídas partes ainda existentes da construção original. O projeto é representativo das primeiras obras do arquiteto carioca Sergio Bernardes, quando este dirigia o Setor de Arquitetura da Campanha Nacional Contra a Tuberculose (CNCT), subordinada ao Serviço Nacional de Tuberculose (SNT). Segundo a recomendação do SNT, a construção deveria ser econômica e de baixo custo de manutenção, seguindo princípios de racionalidade projetual e construtiva. O programa original previa pavilhões de tratamentos para os tuberculosos, edifício hospitalar, edifícios complementares administrativos e de serviços, igreja, edifícios destinados à pesquisa, casa do diretor médico e alojamento para os funcionários.

Vista do Sanatório de Curicica Sanatorium durante sua construção. Fonte: Departamento de Arquivo e Documentação da Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz. Sem data

Os edifícios mais significativos, como a Igreja e a residência do médico, apresentam qualidades únicas e destacam-se, sendo seguidos por sequências de pátios ajardinados e pavilhões de mesmas dimensões articulados por passagens cobertas. O conjunto dos pavilhões de tratamento segue rigorosamente uma modulação. Essa opção se refletiu ainda na utilização de sistema de pré-moldados em concreto armado, permitindo o barateamento e a rapidez da obra, atendendo as recomendações do ministério e possibilitando a reprodução de complexos similares como o da extensão do Sanatório de Sancho em Pernambuco. O resultado da espacialidade, longe de ser apenas funcional, é de grande efeito plástico, criando-se um percurso em que o ritmo de edificações e áreas abertas propicia um lugar com características arquitetônicas excepcionais.

A partir da década de 1980 com a extinção da CNTC e, posteriormente até o ano 2000, com a municipalização dos serviços de saúde, o complexo foi dividido em duas instituições. Uma hospitalar e municipal, com os pavilhões de tratamento, o hospital e edifícios de serviços complementares - administrativos e de serviços. Outra de pesquisa e federal, que conta com os edifícios originalmente pensados para esta finalidade, bem como a casa do diretor e os alojamentos, sob a responsabilidade da Escola Nacional de Saúde Publica (ENSP), da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ).

A parte do complexo sob a gestão federal está razoavelmente preservada, embora exija recuperação e manutenção adequadas. Isto não ocorre com o conjunto de edifícios que servem ao hospital municipal. Esse, em situação precária de manutenção e de perda eminente, apresenta os limites do terreno em parte invadidos por habitações de baixa-renda e pelo próprio poder municipal, que em um dos extremos construiu creches para atender crianças das imediações, e, em outra, demoliu pavilhões alegando a precariedade da sua conservação para promover a construção de escolas públicas. Ambos os usos são inadequados, pois estão na proximidade de um hospital que atende tuberculosos com alto grau de contaminação.

Aliado a isso, a baixada de Jacarepaguá é hoje um dos principais eixos de interesse do capital imobiliário, o que foi intensificado com a criação do sistema de transporte de superfície baseado em corredores expressos de ônibus ou Bus Rapid Transit – BRT, que teve impacto significativo, formal e de escala, sobre o conjunto, pois na sua parte frontal passa em via elevada. Por outro lado, é consequente o efeito deste sistema de transporte sobre a estrutura fundiária e social da região, possibilitando um maior valor de mercado ao terreno e possibilitando o consequente interesse pela desativação do hospital para alienação.

Autores: Ana Albano Amora, Renato Gama-Rosa Costa, Thaysa Malaquias, Michael Jordan

Edifício em risco: Rodoviária de João Pessoa, de Glauco Campello

Projetada por Glauco Campello, que venceu com ela o concurso público promovido pelo Governo do Estado da Paraíba em 1978, a Rodoviária de João Pessoa funde os fundamentos da arquitetura moderna com os preceitos para construir no Nordeste pautados por Armando de Holanda. Por optar por uma implantação eminentemente horizontal, o arquiteto consegue inserir a edificação no perfil do Centro Histórico de João Pessoa sem bloquear as visuais da Cidade Alta.  Recentemente a Prefeitura Municipal aprovou no Conselho do IPHAEP a construção de um Terminal de Integração Metropolitano que deverá ser erguido nas áreas de ampliação lateral da Rodoviária. O extenso programa do novo edifício além de romper com o gabarito definido pelo arquiteto, altera a malha urbana tombada em nível federal e estadual por incorporar à edificação a rua ali existente. A ampliação proposta nega a legislação autoral por não se dirigir ao arquiteto Glauco Campello para definir as bases de sua futura ocupação; nega também a legislação do Centro Histórico local, por se mostrar insensível às tratativas de preservação da paisagem histórica preconizadas em nível internacional pelo ICOMOS e chanceladas pelo próprio IPHAN.  Agradecemos ao colega Marco Coutinho da UFPB pelas informações.

Projetada por Glauco Campello, que venceu com ela o concurso público promovido pelo Governo do Estado da Paraíba em 1978, a Rodoviária de João Pessoa funde os fundamentos da arquitetura moderna com os preceitos para construir no Nordeste pautados por Armando de Holanda. Por optar por uma implantação eminentemente horizontal, o arquiteto consegue inserir a edificação no perfil do Centro Histórico de João Pessoa sem bloquear as visuais da Cidade Alta.

Recentemente a Prefeitura Municipal aprovou no Conselho do IPHAEP a construção de um Terminal de Integração Metropolitano que deverá ser erguido nas áreas de ampliação lateral da Rodoviária. O extenso programa do novo edifício além de romper com o gabarito definido pelo arquiteto, altera a malha urbana tombada em nível federal e estadual por incorporar à edificação a rua ali existente. A ampliação proposta nega a legislação autoral por não se dirigir ao arquiteto Glauco Campello para definir as bases de sua futura ocupação; nega também a legislação do Centro Histórico local, por se mostrar insensível às tratativas de preservação da paisagem histórica preconizadas em nível internacional pelo ICOMOS e chanceladas pelo próprio IPHAN.

Agradecemos ao colega Marco Coutinho da UFPB pelas informações.

Edifício em risco: Edifício Jorge Machado Moreira, Rio de Janeiro

Projetado pelo arquiteto Jorge Machado Moreira para sediar a Faculdade Nacional de Arquitetura da Universidade do Brasil (atual FAU / UFRJ), o edifício teve suas condições físicas fortemente agravadas nos dois últimos meses: primeiramente por um incêndio, ocorrido no terceiro pavimento (dia 03 de outubro) e depois pela inundação da Biblioteca no segundo pavimento (dia 16 de novembro). Os escombros do incêndio ainda estão sendo retirados e o acervo da biblioteca está sendo remanejado para um espaço contíguo. As atividades administrativas e acadêmicas estão funcionando em condições precárias nos três primeiros pavimentos do edifício e em outras edificações no campus.

Inaugurado em 1961, este emblemático patrimônio arquitetônico do Movimento Moderno sobrevive hoje em condições bastante adversas. Tem sido objeto de sucessivas reorganizações dos espaços internos feitas nos últimos cinco anos para atender às demandas das unidades acadêmicas (EBA e IPPUR), da Decania (CLA) e da Administração Central que para lá foram transferidas e foi também transformado em condomínio. Suas condições de conservação se deterioram a cada dia diante do contingenciamento no repasse de verbas destinadas à manutenção do patrimônio arquitetônico da Universidade e, em especial o patrimônio moderno, apesar dos esforços pontuais para revisão e atualização da sua infraestrutura predial.

Fachada principal do ed. Jorge Machado Moreira em agosto de 2016. Autoria: Andrea Borde

Foyer e Biblioteca no mezanino do 2º pavimento. do ed. Jorge Machado Moreira em agosto de 2016. Autoria: Andréa Borde

 

Edifício em risco: Casas geminadas da Av. Rosa e Silva – Recife

Casas geminadas da Av. Rosa e Silva - Recife

Projetadas em 1958 por Augusto Reynaldo, um dos primeiros arquitetos graduados na então Escola de Belas Artes de Pernambuco, já sob orientação moderna proposta por mestres como Mario Russo, Acácio Gil Borsoi e Delfim Amorim, as casas geminadas da av. Rosa e Silva são os mais visíveis exemplares da produção de residências desse arquiteto que tem morte prematura aos 34 anos de idade.
Situadas em uma avenida de passagem obrigatória para os bairros nobres da cidade, as casas apresentam uma composição de grande riqueza de planos e volumes, trabalhada de maneira sutil com diferentes tramas verticais, horizontais e diagonais, além de diferentes materiais e cores. São exemplares de uma cultura construtiva que buscava experimentar novos materiais e adotar os princípios modernos, como a fluidez espacial, a divisão em setores funcionais, a integração das artes.
A saga da destruição das casas começa em 2014. Apesar de se tornarem IEPs, foram completamente arruinadas para se adaptarem ao uso de uma padaria: o jardim frontal deu espaço a um estacionamento, as esquadrias e os revestimentos originais foram removidos. Atualmente uma das casas está abandonada e a outra foi transformada em um depósito de uma farmácia que funciona ao lado.
Foto: Maria Luiza Freitas

Foto: Maria Luiza Freitas

Edifícios em risco: Jockey Club do Rio Grande do Sul – Hipódromo do Cristal em Porto Alegre

Jockey Club do Rio Grande do Sul – Hipódromo do Cristal em Porto Alegre

Projetado pelo arquiteto uruguaio Roman Fresnedo Siri, o conjunto do Hipódromo do Cristal, Jockey Club do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, é uma obra exemplar.  Os destaques deste conjunto edificado residem no uso que o arquiteto fez do vidro, estabelecendo relações visuais com o Lago Guaíba, dos elementos de proteção solar e na sua solução estrutural que comporta lajes sobre vigas em balanço, suportadas por colunas. As vigas invertidas da cobertura descansam sobre uma fileira única de apoios, com o balanço maior voltado para a pista, e o menor amarrado a tirantes de aço ancorados em contrapesos no chão. 
O Hipódromo encontra-se hoje em risco. Dois dos seus três pavilhões - o Popular e o Paddock - apresentam os mais sérios problemas de conservação. Não estão em condições de utilização devido às degradações facilmente perceptíveis, como esquadrias avariadas, vidros quebrados, inúmeras infiltrações, capeamento dos tirantes de aço em decomposição,  instalações elétricas expostas, entre outras.  Já o Pavilhão Social, apesar de ainda estar em uso, foi muito descaracterizado pelas reformas feitas sem critério. A Casa de Apostas Reta está irreconhecível e a Casa de Apostas Curva, atualmente utilizada pela administração do Hipódromo, apresenta melhores condições, embora as descaracterizações da cobertura sejam perceptíveis externamente.
Agradecemos a Anna Paula Canez pelas informações.
Foto: Anna Paula Canez

Foto: Anna Paula Canez